As cinco mentiras contadas nas Igrejas confrontadas na Palavra

  • Quinta-Feira, 05 Fevereiro 2026
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As cinco mentiras contadas nas Igrejas confrontadas na Palavra

Introdução A busca por Deus é uma jornada sagrada, mas o caminho, por vezes, é obstruído por detritos doutrinários – ensinamentos que, embora popularmente repetidos, carecem de fundamento nas Escrituras. Estes equívocos, muitas vezes nascidos de uma boa intenção de simplificar ou motivar, podem criar uma fé frágil, baseada em promessas humanas e não na soberania divina. É um ato de amor e fidelidade à verdade examinar o que cremos à luz da Palavra. Abaixo, estão cinco dessas "mentiras" frequentemente propagadas nos púlpitos. 1. A Mentira da "Fé como Transação": "Se você tiver fé suficiente, Deus será obrigado a abençoá-lo." O Ensino Popular: Esta mentira é o cerne da teologia da prosperidade. Ela transforma a fé em uma moeda de troca, uma força mística que, se exercida na intensidade correta, obriga a mão de Deus a agir de acordo com a nossa vontade. O fiel é levado a acreditar que doenças não curadas ou orações não respondidas são, em última análise, fruto de uma fé deficiente.A Verdade Teológica: A fé bíblica não é uma varinha mágica, mas uma confiança submissionária na pessoa e no caráter de Deus, independentemente das circunstâncias. A narrativa de Jesus no Getsêmani é a antítese deste ensino: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres" (Mateus 26:39). A fé de Cristo foi perfeita, e ainda assim seu pedido foi atendido com um "não" da parte do Pai, em prol de um bem maior. Deus não é um balcão de atendimento cósmico; Ele é o Pai soberano que, em sua onisciência e amor, sabe o que é melhor para seus filhos (Romanos 8:28). A verdadeira fé confia n'Ele mesmo quando Ele diz "não". 2. A Mentira do "Cristianismo sem Cruz": "Aceite a Jesus e todos os seus problemas acabarão." O Ensino Popular: Esta mentira vende o evangelho como um produto que elimina o sofrimento da vida. Cria a expectativa de que o cristão verdadeiro viverá em uma bolha de proteção, imune a crises financeiras, doenças e tristezas.A Verdade Teológica: Jesus nunca prometeu uma vida sem dor; pelo contrário, Ele prometeu o oposto. "No mundo vocês terão aflições; mas tenham ânimo! Eu venci o mundo" (João 16:33). A mensagem do evangelho não é a ausência de problemas, mas a presença de Deus no meio dos problemas. A cruz não é um símbolo de conforto mundano, mas de sofrimento redentor. Seguir a Cristo é tomar a própria cruz (Lucas 9:23), o que implica em renúncia, perseguição e, em muitos lugares do mundo, até a morte. A promessa não é a eliminação da tempestade, mas a âncora que nos mantém seguros dentro dela. 3. A Mentira da "Salvação pelas Obras": "Deus te ama mais quando você obedece." O Ensino Popular: Embora raramente declarada de forma tão crua, esta mentira permeia a cultura de muitas igrejas através de um fardo pesado de legalismo. A graça é apresentada como o ingresso para a corrida, mas a permanência na fé parece depender da nossa performance: da frequência aos cultos, da leitura bíblica, do dízimo e da abstinência de pecados. O amor de Deus é apresentado como condicional.A Verdade Teológica: O cerne do evangelho é a graça. "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9). O amor de Deus por nós não flutua de acordo com o nosso desempenho espiritual. Ele nos ama porque Ele é amor (1 João 4:8), não porque nós sejamos amáveis. A obediência não é o meio para ganhar o amor de Deus, mas a resposta gratificante de quem já o recebeu. É fruto, não raiz, da salvação. Colocar o fardo das obras sobre os ombros dos crentes é negar a eficácia completa da obra de Cristo na cruz. 4. A Mentira do "Pregador como Único Canal de Deus": "O que o pastor diz é a palavra final." O Ensino Popular: Esta mentira cria uma classe clerical intocável, onde a liderança espiritual é colocada em um pedestal de infalibilidade. Questionar o líder é equiparado a questionar o próprio Deus. Isso gera abuso espiritual, dependência doentia e impede o exercício do sacerdócio universal de todos os crentes.A Verdade Teológica: A Bíblia exalta a humildade e a responsabilidade dos líderes, não a sua infalibilidade. Os bereanos eram "mais nobres" não porque aceitaram passivamente o que Paulo pregava, mas porque "examina[m] todos os dias as Escrituras para ver se tudo era assim mesmo" (Atos 17:11). Todo crente tem o Espírito Santo que o guia "a toda a verdade" (João 16:13) e é encorajado a testar os espíritos (1 João 4:1). A autoridade final não reside em um homem, por mais dotado que seja, mas nas Escrituras Sagradas. 5. A Mentira da "Autoajuda Mística": "Deus quer realizar os seus sonhos." O Ensino Popular: Esta é uma versão sutil e moderna do erro anterior. O evangelho é reduzido a uma ferramenta para a autorrealização. O foco deixa de ser o reino de Deus e a sua justiça e passa a ser os nossos planos, carreiras e ambições pessoais. Deus é retratado como um copiloto ou um gênio da lâmpada, existindo para validar e financiar os nossos projetos egoístas.A Verdade Teológica: O chamado de Cristo é um chamado à morte do "eu". "Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a vida por minha causa a encontrará" (Mateus 16:25). O propósito do evangelho não é realizar os nossos sonhos, mas nos dar novos sonhos. Não é nos fazer felizes de acordo com os padrões do mundo, mas nos fazer santos, à imagem de Cristo (Romanos 8:29). A vida cristã é sobre a rendição incondicional da nossa vontade à d’Ele, confiando que os seus planos, ainda que misteriosos, são infinitamente superiores aos nossos (Isaías 55:8-9).Conclusão Desmascarar estas mentiras não é um exercício de cinismo, mas de devoção. É um retorno ao evangelho puro e simples, que liberta em vez de oprimir, que fortalece em vez de enfraquecer, e que glorifica a Deus, e não ao homem. Que a nossa fé não seja construída sobre a areia movediça de slogans atraentes, mas sobre a rocha inabalável de Jesus Cristo e de sua Palavra, onde encontramos não um Deus que atende aos nossos caprichos, mas o Deus que, em sua graça insondável, se doa a si mesmo para a nossa salvação.Acesse mais sobre o assunto no podcast: Daniel Santos Ramos (@profdanielramos) é professor (Português/Inglês - SEE-MG, EJA/EM/EFII), colunista do Guia-me e professor de Teologia em diversos seminários. Possui Licenciatura em Letras (2024), Bacharelado/Mestrado em Teologia (2013/2015) e pós-graduação em Docência. Autor de 2 livros de Teologia, tem mais de 20 anos de experiência ministerial e é membro da Assembleia de Deus em BH.* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.Leia o artigo anterior: A mordomia cristã: Fundamentos teológicos e implicações para a vida e a missão da Igreja

FONTE: http://guiame.com.br/colunistas/daniel-ramos/cinco-mentiras-contadas-nas-igrejas-confrontadas-na-palavra.html
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