Escutar é diferente de tentar resolver, mas é o início do processo de acolhimento
- Sexta-Feira, 18 Setembro 2026
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Ao longo desta série, temos aprendido que o sofrimento emocional nem sempre é visível e que mudanças de comportamento podem comunicar aquilo que uma pessoa ainda não consegue colocar em palavras.Mas o que fazer quando alguém finalmente decide falar? Talvez uma das respostas mais importantes seja também uma das mais desafiadoras: escutar.Quando amamos alguém, nossa tendência natural é querer resolver seu problema, oferecer conselhos ou encontrar rapidamente uma saída para sua dor. No entanto, quem está sofrendo nem sempre precisa, naquele primeiro momento, de respostas. Muitas vezes, precisa encontrar um lugar seguro onde possa falar sem medo de ser julgado, corrigido ou interrompido.Por isso, a primeira orientação é criar espaço para uma escuta verdadeiramente presente. Isso significa diminuir distrações, manter atenção na conversa e permitir que a pessoa conte o que está vivendo no seu próprio ritmo.Em vez de levar imediatamente a conversa para uma solução, podemos fazer perguntas abertas: “Você quer me contar um pouco mais sobre isso?” ou “Como você tem se sentido diante de tudo isso?”.Na psicoterapia, sabemos que ser ouvido com atenção pode ajudar a pessoa a organizar pensamentos, reconhecer emoções e dar nome ao que está vivendo. Escutar não é ficar passivamente em silêncio; é comunicar, com palavras, postura e presença: “O que você está me dizendo importa para mim.”A segunda orientação é acolher o sentimento sem minimizar a dor. Frases como “você precisa ser forte”, “isso vai passar”, “tem gente vivendo coisas piores” ou mesmo “você precisa ter mais fé” podem ser ditas com boa intenção, mas acabar fechando a conversa.Acolher não significa concordar com todas as interpretações da pessoa nem confirmar pensamentos distorcidos sobre ela mesma ou sobre a vida. Significa reconhecer que aquilo que ela sente é real para ela naquele momento.Podemos responder: “Imagino o quanto isso tem sido difícil” ou “Obrigado por confiar em mim para falar sobre isso”. Há momentos em que uma presença compassiva alcança lugares aos quais um conselho apressado jamais conseguiria chegar.A terceira orientação é saber quando a escuta precisa se transformar em encaminhamento e proteção.Se, durante a conversa, surgirem falas recorrentes de desesperança, desejo de desaparecer ou morrer, sensação de ser um peso, intenção de se machucar ou qualquer indicação de risco, não devemos guardar aquilo como um segredo nem tentar conduzir a situação sozinhos.Perguntar diretamente, com serenidade, se a pessoa está pensando em tirar a própria vida não “coloca essa ideia” em sua cabeça; ao contrário, pode abrir espaço para que ela revele o que está vivendo.Diante de risco imediato, é importante permanecer com a pessoa e buscar apoio de familiares responsáveis, profissionais de saúde ou serviços de emergência. Escutar é acolher, mas acolher também é reconhecer quando aquela dor precisa de uma rede maior de cuidado.A fé cristã nos oferece uma imagem muito bonita desse princípio. Tiago nos orienta a sermos “prontos para ouvir, tardios para falar” (Tiago 1:19), e Jesus demonstrou inúmeras vezes uma presença que não tratava pessoas feridas como problemas a serem rapidamente solucionados.Ele Se aproximava, perguntava, ouvia e enxergava a pessoa antes de sua condição. Podemos aprender com esse cuidado. Nem sempre teremos a palavra certa, e não precisamos ter.Às vezes, o começo do acolhimento está justamente em resistir à necessidade de resolver e escolher permanecer. Escutar não resolve tudo, mas pode ser o primeiro passo para que alguém deixe de carregar tudo sozinho.O Pai ama você. Darci Lourenção (@pra_darci_lourencao) é psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor”, “Viva sem compulsão” e “Devocional Minha Família no Altar”.* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.Leia o artigo anterior: Precisamos aprender a olhar além do comportamento







